• Natascha Duarte

É preciso ser mãe quando se é mãe

Eu estou muito ocupada em ser mãe, obrigada, e passo bem às minhas custas. Quero ser mãe como a minha mãe. Certa vez, ela me disse que me amava tanto, que se pudesse entraria dentro de mim. Isso é amor! Minha família é o que existe de Deus mais próximo de mim. Obrigada, mãe, e apesar do tom, isso é uma homenagem. Ser mãe não é parir, apenas. É mais. É preciso assumir os riscos. Não é gerar na barriga, ver crescer o ventre. É colagem, uma parte nossa que é emprestada para formar uma semente que vira gente. Não dá pra voltar atrás. E antes de ser biologia, a maternidade é vocação. É preciso sentir vontade de ter filhos, e sentir-se responsável por eles, depois, e para sempre. Uma boa dose de abnegação é imprescindível, porque ser mãe não combina com vaidades, tem mais a ver com entrega. Não que não possamos ter uma vida só nossa, trabalho, amigos, ser feliz fora da caixa. Mas para ser mãe, a mulher tem que segurar a mão do filho com força e conduzir. Saber ouvir, olhar nos olhos. Tem que ter coragem para perguntar como você está, e dizer eu sou sua! E sentir prazer nessa relação. Eu acredito que os filhos são descanso e proteção, e que serão fortes se eu for forte no começo, no meio e no fim, sim, porque ser mãe, dura. Eu digo para eles se dedicarem com afinco no que forem fazer, que tudo se ajeita. A Sandra ainda me diz, eu estou aqui! Essa harmonia tem pouco a ver com o fato de se trabalhar fora, horas a fio, ou ficar em casa, com os rebentos. Uma mãe é de verdade, ou de brincadeira. Ser mãe é o que muitas mulheres fazem de melhor, vejo amigas minhas dando bons exemplos. Eu me esforço, como me esforço. Sou o melhor que posso ser, eu sei. Minha opção por ser mãe em tempo integral me deixou fora do lugar em alguns momentos. Mas passou! Hoje estou completa por estar tão aqui, onde além de vê-los crescer, posso escrever quando algo me inquieta. Falar para mim é cura. E escrever é o que acontece quando eu ouço o meu coração, e aparentemente, ele me diz o que fazer. Eu conheço histórias de superação de mulheres que ao serem mães, se tornaram pessoas melhores, porque amar é isso, exercício, atenção, planejamento e prática. Aconteceu comigo. É preocupação que não termina, coisa que o contato ameniza, basta saber que a mãe está ali. Apertar com força. Filhos crescem e apesar disso, amar continua a ser beijar e abraçar e não esquecer jamais, que o filho grande, é a aquela criança que chupou seu peito, com fome. Amar aflora muitos dos nossos medos e incapacidades, mas também nos faz evoluir, e diverte. Sem procura, não se alcança; sem nos concentrarmos neles, perdemos a conexão. Filhos precisam de pais que os ajudem a construir um futuro. Ontem à noite, eu disse aos meninos que os amo tanto, que se pudesse entraria dentro deles. O que motivou essa reflexão aqui.

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