• Natascha Duarte

Cabeça de algodão

Para o filho ela é engraçada. É que a mãe chora à toa. No carro iam rindo despreocupados quando um senhorzinho deu passagem no cruzamento lotado. O senhorzinho cabeça de algodão a fez chorar. O menino viu a mãe rindo e chorando. Chorando e rindo e pensou: engraçada demais. Ela chorava na hora do Hino na escola também. Sorriso de pipoca olhava a mãe sem entender e o choro invadia o corpo dela e escorria pelos ombros e ia até às mãos. Mãos que tremiam. Ombros que soluçavam. Tudo isso por quê? Em casa agora tem havido mais choro, não à toa, é que ao ir para o céu o pai da moça, avô dos meninos e amigo da bondade, deixou nuvens claras no espaço perfumado. Lá choram por ele todos os dias. Para ela tudo era o pai. Os meninos percebem os sons dos choros. Tem algo diferente na alegria e na tristeza. Eles sabem quando os olhos da mãe sofrem e correm para ela, aninham e acolhem. Para os filhos, ela é tudo.


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