• Natascha Duarte

Comecemos agora...

Isolados em um mundo que se tornou do tamanho de uma sala de tv, “homens brancos” se perguntam o que aconteceu, assustados. Diga o que pensa de nós, Curupira. Em sua sabedoria anunciada vale cada pensamento seu para nos fazer entender. Onde foi que erramos? O personagem do folclore brasileiro e assíduo nos livros infantis, veio à minha cabeça depois de uma tarefa escolar do meu filho. Em tempos de homeschooling, com crianças em casa, a bravura do personagem de cabelos vermelhos em defender a floresta é algo que foi resgatado aqui. A boniteza desse confronto não pode escapar da memória. Curupira não é índio mas bem que poderia ser (não somos todos?) e luta por nós sem descanso, cercado pela natureza que ainda resta. É um otimista de plantão e não reclama nunca. Sua vocação parece mesmo ser glorificar o mundo. Curupira existe de verdade e é o som que se ouve no silêncio, no fundo da alma. É intuição. O que se sente no baixo do coração, lugar onde fervem as emoções. Ele também é razão e pode ser entendido como ciência. É também existência metafísica, concomitantemente, e pode ser visto como fé. Ele é o que não se conta, o que não se vê, mas existe. É o que faz rir quando estamos alegres, é adrenalina e cadeia genética. Crescimento, satisfação em ser, coragem. Curupira sou eu e é você. Mas tem homem branco que come bicho vivo, ali rasgado na hora, sem cozinhar. Tem homem branco que mata árvores e elefantes e ataca abelhas. Tem homem branco que procura destruir o que encontra pela frente e vai ceifando vidas por querer. Tem também muito homem branco que se envolve em corrupção por vontade própria. Nesta hora de crise mundial não adiantou ser rico. Não adiantou ter poder. Ser coisa importante na vida não fez diferença. Tampouco títulos contiveram o contágio. Estamos ilhados em nossa pequenez e o número de seguidores no instagram não fez a solidão diminuir. O vírus atacou todos os povos e nacionalidades provando que a gente é um só. Somos iguais, sem distinção, para o mal que impede que nos toquemos. Essa é a pior crise sanitária dos últimos 100 anos e assim como o Curupira, estamos em guerra. Ele não desiste de salvar a floresta e nós estamos ensandecidos tentando salvar nossas vidas. Curupira certamente diria que sente muito por tudo isso. O líder menino talvez nos ajude convocando os Senhores do Mato de outros países, para interceder com medicina natural, magia e oração, ou pensamento positivo, só para usar outro termo (não são a mesma coisa ciência e fé?). Com os pés virados pra trás, Curupira engana caçadores que buscam destruir matas e animais, deixando falsas pegadas. É assim que ele enfrenta a ordem estabelecida. Se governos negam sua infalibilidade, sejamos coerentes em assumir a nossa e fazer o que nos cabe. Curupira quer que reformemos o mundo! Comecemos agora!

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