• Natascha Duarte

Netflix - o advento e avante!

5 títulos


De que outro jeito eu ficaria sabendo da história dos judeus etíopes, perseguidos pela fome e guerra no seu país de origem, e refugiados no Sudão, na década de 1980 -os falashas -? Eu nem sabia que existiam judeus negros. Acho que matei as aulas de História. Ou talvez, não se ensine toda a história do mundo na escola. Eu não estudei a Tarsila do Amaral, por exemplo, não conhecia sua infância na fazenda, suas babás e o mostro no teto do seu quarto. A relação possivelmente culminou com o quadro icônico, Abaporu, acreditam os especialistas. O meu filho de 7 anos conhece a coisa toda, aprendeu na sala de aula. Tarsila é brasileira, tem de estar presente na escola mesmo, mas Cora Coralina, outra brasileira, está? Onde eu quero chegar com isso? Ao cinema. A oitava maravilha do mundo. O cinema sempre desempenhou papel relevante na educação ao contar histórias que o mundo desconhece e que a escola, por mais versátil que seja, não consegue. A verdade é que o filme Missão no Mar Vermelho, em cartaz na Netflix, conta uma história real, que eu jamais conheceria de outra maneira. Explica até a origem dos judeus negros, que remonta aos tempos Bíblicos. Na época de Salomão, a poderosa rainha africana de Sabá viajou a Jerusalém e se apaixonou pelo rei. Voltou à África convertida e grávida. O filme foi produzido pelo streaming. Sabia que são 20 executivos, com carta branca e dinheiro de sobra, patrocinando filmes em todo canto do mundo? Dizem que compram qualquer coisa. São 100 milhões de clientes e, subindo... O filme é mais um exemplo do fenômeno do streaming no mundo do audiovisual. Graças à tecnologia, hoje qualquer um pode fazer cinema, só que o filme passa na nossa sala. O título em questão é uma super produção, com o Capitão América, o ator, é claro; e tem todos aqueles chavões que fazem a gente chorar, querer salvar o mundo, querer virar herói. Não é um filme qualquer. Mas ensina, e muito, e me fez pesquisar sobre a matéria e até consultar um grande amigo que mora em Jerusalém, e é jornalista. Mas a Netflix não assina apenas grandes produções. Tenho visto filmes menores também, mais baratos, introspectivos, e todos ótimos. Japoneses, coreanos, argentinos, espanhóis, finlandeses, brasileiros. Caso de Kardec. Uma escola, a Netflix! Uma escola! Outros exemplos do momento singular da produção/veiculação cinematográfica no mundo são a microssérie (da Netflix), The Family, e o filme A Noiva do Diabo (em cartaz). São histórias reais e lançam questionamentos sobre o papel da fé, da religião e da Igreja como braços do Estado. O primeiro é um retrato do conservadorismo americano mais recente e o filme finlandês, que vai te levar às lágrimas, traz o sofrimento das mulheres na Europa de 1600 que eram consideradas bruxas, por absoluta ignorância dos seus julgadores. Por último, um filme da época do cinema tradicional, de 20 anos atrás, e do excelente diretor Darren Aronofsky. É sem dúvida um clássico e o filme mais perturbador que eu já vi - Réquiem para um sonho. Vi muitas vezes, um dos meus top 10, aprendi também; mas prepare-se, não é nada fácil. É carne crua, vermelho sangue, sombra, dúvidas. É certamente onde os homens perderam a fé. Com um cardápio assim, tem como não amar a Netflix? É como ler um bom livro!


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