• Natascha Duarte

Sandra


Há falta de você em mim. Onde está que não está aqui? Estou sentindo vontade de abraço. Você é assim para mim (fecho os olhos e demoro). Perfeita, perfeita! Você é o que eu podia ter sido se eu fosse tão boa. É gosto de comida, coisa da qual não sou capaz; é elemento em cores, eloquência que abranda o coração, ausência de verbos personalistas. Você é uma reza. Mãe, eu comprei um almoço e mandei te entregar. Se eu pudesse inventaria a cura do câncer e traria meu pai de volta. Aí mandaria um café da manhã para vocês dois. Tanto mar, tanto mar, sei também quanto é preciso navegar, navegar...Você é minha asa de anjo, água quentinha do banho que cura que nem beijo. É Calor. Deus me manda um recado toda vez que você está presente. E quando não está. Porque quero eu te copio, te imito porque procuro sua grandeza, sou meus filhos por causa da sua ternura. Você fez tudo valer a pena e botou fé em mim. Poucas são como você. Outro dia tinha 4 galinhas aqui no quintal, mãe. Vieram do Seu João e foi divertido quando uma delas subiu no pé de jabuticaba, de noite, para dormir. Tinha também um sapo na cozinha e aranhas lindas na varanda, não deixamos os gatos se aproximarem, é claro. Sandra, Sandrinha, como é ser multiplicada e dividida assim? Era tudo e agora é a gente completamente. Com a minha casa limpinha eu fecho as janelas à tarde e penso que não mereço tudo o que tenho, como a senhora fazia quando eu era criança, lembra? Somos gratas! Isso nos torna felizes! Mais tarde faremos uma chamada de vídeo, tá bom? Como foi que chegamos a isso, querida? Não é culpa de Deus o vírus planetário, disse o Benício antes de dormir. Não é, filho. Minha Sandra, mesmo sem beijo nem abraço, mesmo sem seus netos aí e nossas conversas acaloradas sobre política, eu te desejo um Dia das Mães das Mães de verdade. Vasto. Porque você é imensa!

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