• Natascha Duarte

Um Natal gatonês!!!!!

Ela apareceu do nada numa noite, e em outra, e outra. Procurava comida e brigava com o gato da casa, o Bartolomeu, nos fazendo correr em disparada para salvar o bichano alaranjado. Sempre faminta, passou a vir duas vezes por dia, e comia tanto que pensamos que ela fosse explodir. Ficou. Demos um nome a ela, Mia, e desconfiamos, pelo apetite voraz, de que se tratava de uma gatinha prenha. Numa tarde quente de dezembro a descobrimos no depósito com um lindo exemplar da sua raça e com olhos de gratidão. Ela parecia exausta. O bebê já estava grandinho, talvez com uns 30 dias. Não se sabe de onde vieram, e nem pelo que passaram até aquele momento, mas lá estava ela, dando os peitos cheia de graça. O entendimento entre os dois nos comoveu a todos, lembrava um comercial de Natal e ficamos entusiasmados com aquela vidinha no início. Passados mais uns dias, encontramos outro bebê. Agora são três gatos no quartinho de tralhas. A mamãe no início, não dormia, vivia intranquila. Agora, mais gordinha, esbanja disposição e enquanto não fechamos a equação (o que fazer com os gatos), vamos criando os bichinhos com um sentimento recém descoberto; foi diferente ver que nossos corações, mesmo muito preenchidos, encontraram espaço para os filhotes e Mia. Foi o que nos fez querer mudá-los de lugar, para o banheirinho coberto e mais limpinho. Fizemos um estrago. Mamãe gata não gostou, trouxe de volta o primeiro e ao nos descuidarmos, levou os dois embora, ofendida. Nesta noite foi difícil dormir. As luzes do campinho, que não ficam acesas porque aumentam significativamente o preço da conta de energia, permaneceram ligadas para facilitar o retorno da turminha. Rezamos para encontrá-los e, na manhã seguinte, saímos à procura dos bichos pelo quintal. Mia, Mia, eu chamava. Do alto de uma escada, vi um dos dois gatinhos espremido entre algumas telhas, no chão do vizinho. Ele morreria ali. Fomos resgatá-lo. E voltei à escada. Miau, miau. Quando percebi o outro gatinho em cima do telhado, e de tão atônita, ao tentar descer rapidamente da escada para movê-la de lugar, cai no chão. Nada que me impedisse de saltar às alturas novamente para, do parapeito do telhado, resgatar o chanin. Mamãe gata se reuniu com sua prole. Foi inspirador. Natal é tempo de família e a da Mia adora ficar junto, e viver ao ar livre tanto que, do nada, os corajosos bebês escapuliram outra vez quando menos esperávamos. Eu, escada em punhos (está virando rotina, onde se vê a Natascha, lá está a escada, risos), fui ao lugar preferido deles, e os achei bem na pontinha, entre os galhos da jabuticabeira. Dormiam. O responsável pelo resgate no telhado, dessa vez, foi meu marido. Ele praguejava. Eu suava. Miguel e Benício gritavam. Mas nada aqui em casa é muito normal mesmo. Com essa experiência, ficamos mais atentos e a aventura continua lá no quartinho de tralhas, todo bagunçado, mas o lugar que ela escolheu para manter segura sua família. Tem outros episódios, não caberiam aqui, como o do dia da tempestade de ventos fortes, Mia entrando dentro da nossa casa, minha irmã chamando os vizinhos para ajudar, eu e meu marido levantando às cinco da madrugada porque a gata miava chamando a gente... Uma história bem bonita! Feliz Natal, amigos!

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